Em conferência com 16 países Pete Hegseth afirmou que Washington está preparado para atuar unilateralmente o que especialista classifica como ameaça gravíssima à soberania latina.
O governo dos Estados Unidos firmou acordo com 16 países latino-americanos para combate aos cartéis na região e ameaçou agir sozinho na América Latina se necessário. A declaração foi feita pelo secretário de Defesa dos EUA Pete Hegseth durante a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis realizada na última quinta-feira dia 5 em Doral na Flórida na sede do Comando Sul setor das Forças Armadas que monitora a América Latina e o Caribe.
Hegseth afirmou que os Estados Unidos estão preparados para enfrentar essas ameaças e partir para o ataque sozinhos se necessário mas que a preferência é que isso seja feito junto com os vizinhos e aliados do hemisfério. O secretário do governo Trump enfatizou que a coalizão firmada na Flórida expressa a política do Corolário Trump à Doutrina Monroe que prega a proeminência de Washington sobre as Américas.

O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra Ronaldo Carmona disse à Agência Brasil que a fala de Hegseth é uma ameaça gravíssima. Segundo ele sob Trump as ameaças costumam se materializar como visto na Venezuela e agora no Irã. Ao evocar a Doutrina Monroe os EUA propõem expurgar a presença de potências extrarregionais das Américas em uma ameaça explícita à liberdade de ação das nações latino-americanas.
Carmona acrescentou que o ingresso de drogas nos EUA deveria ser uma tarefa interna do Estado americano que tenta latino-americanizar a questão como pretexto para intervenções abertas no continente. O combate aos cartéis foi a justificativa usada para o sequestro do presidente da Venezuela Nicolás Maduro.
Da América do Sul estavam presentes representantes da Argentina Guiana Bolívia Equador Paraguai Chile e Peru. Da América Central participaram Belize Costa Rica República Dominicana El Salvador Guatemala Honduras Jamaica Panamá e Trinidad e Tobago. O Ministério da Defesa da Argentina informou que além de uma declaração conjunta foram firmados acordos bilaterais com os EUA.
Os governos do México e do Brasil têm informado que o combate aos cartéis na América Latina tem que ser feito respeitando a soberania dos países da região. A presidente do México Claudia Sheinbaum destacou que a parceria com Washington deve ser feita com coordenação e sem subordinação como iguais.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva incluiu o combate ao narcotráfico na agenda de negociações com o governo Trump. O pesquisador Ronaldo Carmona afirma que o Brasil sempre diferenciou as atividades policiais para combater o narcotráfico das atividades de Defesa ligadas à soberania territorial mas os EUA tentam militarizar esse combate.
O presidente colombiano Gustavo Petro reagiu dizendo que os EUA não precisam agir sozinhos pois não saberiam como fazê-lo bem. Segundo ele para destruir os cartéis da máfia é preciso união e a aliança contra o tráfico de drogas deve ser um Pacto pela Vida e pela Paz.
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Edição: Aurélio Fidêncio
Fonte: Agência Brasil / Escola Superior de Guerra / Cebri
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