Especialistas e ativistas apontam que práticas como laço de bezerro e montaria em touros causam ferimentos graves e morte, distanciando-se do manejo rural tradicional.
O debate sobre a crueldade nos rodeios ganha força à medida que aumenta a conscientização sobre o bem-estar animal. O que muitos consideram uma tradição enraizada na cultura do campo é visto por críticos como um espetáculo de abuso disfarçado de esporte, onde os animais pagam o preço mais alto.
Críticos da prática argumentam que os rodeios modernos pouco se assemelham ao trabalho legítimo em fazendas, onde o cuidado com o rebanho era essencial para a sobrevivência do negócio. Hoje, a competição por prêmios em dinheiro e a busca por espetacularização transformaram a lida com o gado em um show de horrores para os animais.
Um dos eventos mais contestados é o laço de bezerro, onde filhotes são derrubados no chão, têm suas patas amarradas e são arrastados pelo pescoço. Ativistas comparam a prática ao abuso de animais domésticos, que seria tratado como crime se feito com cães ou gatos. Os bezerros, por serem mais baratos de repor, são tratados como descartáveis pela indústria do rodeio.

Nas provas de laço em dupla, dois competidores laçam a cabeça e as patas traseiras de um novilho e puxam em direções opostas, causando ferimentos graves. Já a montaria em novilhos, considerada por muitos a mais brutal, resulta em animais mortos ou gravemente feridos sendo arrastados para fora de praticamente todos os rodeios.
Nos eventos de coice, como a montaria em cavalos e touros, os animais são submetidos a maus-tratos para parecerem selvagens. Investigações flagraram cavalos sendo espancados e eletrocutados para que se comportem de forma agressiva durante as provas. O uso da correia no flanco, que aperta a região abdominal do animal, provoca dor intensa e faz com que ele empine numa tentativa desesperada de se livrar do dispositivo.
A Associação Profissional de Cowboys de Rodeio (PRCA) defende a prática alegando que os eventos são desdobramentos do trabalho legítimo em fazendas e que os animais “nascem para dar coices”. Críticos rebatem: se os animais realmente adoram pular, por que precisam ser estimulados com choques elétricos, ter as rédeas apertadas e serem esporeados constantemente para que se apresentem?
Quando param de se debater, cavalos e touros de rodeio provavelmente acabam em matadouros. Enquanto protetores dos animais trabalham para acabar com o abate de cavalos, associações de rodeio lutam para manter os abatedouros em funcionamento, lucrando mais uma vez com suas vítimas exaustas.
Para os defensores dos direitos animais, o rodeio é uma indústria bilionária baseada em crueldade e acobertamento, que se esconde atrás do manto da tradição e da cultura para continuar lucrando com o sofrimento de seres sencientes.
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Edição: Aurélio Fidêncio
Fonte: Pessoas que se importam / Observatórios de defesa animal
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